O jornalismo científico surgiu da necessidade de se compartilhar o conhecimento produzido por cientistas e pesquisadores com o grande público, não iniciado cientificamente. Na época, século XVI e XVII, a Europa e boa parte do mundo vivia a era da revolução científica. Newton, Galileu, René Descartes eram os homens da ciência, e para eles a pesquisa/descoberta estava relacionada a divulgação do que seriam seus objetos de estudo. Como exemplo, tivemos o livro publicado por Galileu Galilei, O Mensageiro Celeste, de linguagem coloquial e acessível ao público.
A relevância que as informações científicas têm para a população são cruciais ao seu desenvolvimento. Assim, a atividade do jornalista científico existe para fazer um elo entre o meio científico e o não científico, transmitir um conteúdo fiel ao discurso do cientista, mas que seja capaz de exprimir informações compreensíveis a todos.
O jornalista não deve se deter a apenas divulgar acontecimentos factuais, seu trabalho não está ligado somente a informação, mas também a educação de forma ampla (cultural, política, econômica). Em todas as áreas se aprende sobre ciência; jornalismo científico não é somente meio ambiente e a natureza, existem questões políticas, econômicas e culturais. Comunicar, “traduzir a linguagem construída em laboratórios” é uma forma de democratizar o conhecimento, algo de direito da população, saber o que influencia direta ou indiretamente a sua vida.
Comunicar ciências, nessa perspectiva, não é apenas dar publicidade, traduzir, reconstruir discursos, projetar o conhecimento, mas, principalmente, sinalizar com possibilidades de redução do fosso que existe entre os que conhecem, produzem conhecimento, e os que não produzem e nem têm acesso, numa tradução vulgar do que disse Vessuri (2002).
Em seu artigo Comunicação pública e ciência cidadã, Graça Caldas cita que pesquisas recentes mostram que a população tende a ligar ciência a grandes descobertas, ‘endeusando’ os cientistas, por eles serem os responsáveis pelas pesquisas sobre doenças/curas. Isso demonstra a falta de conhecimento/informação que as pessoas têm. Aqui, o JC sendo responsável nessa desmistificação cria um fio condutor para que as informações cabíveis sobre os pesquisadores cheguem até a sociedade.
Nessa perspectiva a ciência é estudada no seu lugar de produção (laboratório) e entendida como um discurso resultado de processos complexos de negociação e busca de consenso. Quanto maior for a capacidade de articulação e formação de redes, dos atores envolvidos em determinado projeto, tanto maior será a probabilidade de se obter acordos na construção dos significados das teorias propostas. Assim, todo trabalho científico está impregnado de decisões.
Pode-se observar que esta visão de ciência não parte dos conteúdos já significados, mas do processo de construção de significados. Melhor dizendo, do lugar onde os significados são negociados em decisões que vão sendo tomadas ao longo do processo de investigação. Decisões que sofrem influência não apenas dos fatores internos, embora, o método tenha fortes características internalistas; mas, também, de fatores externos ao ambiente de produção, como as políticas públicas, por exemplo.
Nesse sentido, parte ou grande maioria dos cientistas têm opiniões que vão de encontro ao pensamento dos jornalistas científicos. Falta de conhecimento sobre o tema, distorção do conteúdo ou pouca disposição do próprio pesquisador são algumas das justificativas para não haver uma boa relação entre cientistas e jornalistas. Por outro lado, é crescente a associação entre os mesmos para a democratização sobre o que se está sendo pesquisado atualmente
Como diz Latour (1999), a entrada no mundo da ciência e da tecnologia se dá pela porta de trás, a da ciência em construção, e não pela entrada grandiosa, que é da ciência acabada. Se a ciência tem, como diz ele, duas faces - uma que sabe e a outra que ainda não sabe -, é importante ficar com a mais ignorante, com o mínimo possível de idéias sobre aquilo que se constitui ciência. Ao entrar no laboratório, entendido aqui numa perspectiva mais ampla, como o lugar onde o cientista trabalha, o investigador, que opta pela segunda face da ciência, tem a oportunidade de encarar a ‘caixa-preta’ antes que ela seja fechada. O conhecimento pertence a todos e não somente a uma parcela da sociedade, com ele cria-se uma visão crítica de tudo que está ao nosso alcance.Se a ciência pronta, como reza a tradição positiva, possui certeza, frieza, distanciamento, objetividade, isenção, a pesquisa, segundo Latour (1999), no seu lócus, apresenta características opostas: é incerta, aberta, e está sempre às voltas com problemas ‘insignificantes’, como dinheiro, instrumentos, capacidade técnica, incapaz de fazer distinções de natureza objetiva. Não prospera desvinculada do coletivo, porque, na essência, é uma grande experimentação coletiva que envolve humanos e não humanos (objetos, animais, bactérias), num processo cujo significado é sempre controverso.
Não dá para falar de JC, sem falar desses órgãos:
Associação Brasileira de Jornalismo Científico: http://www.cienciamao.if.usp.br/tudo/exibir.php?midia=mcc&cod=_associacaobrasileiradejornalismocientificoabjc
Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência: http://www.sbpcnet.org.br/site/home/
1 comentários:
boa May.... gostei dessa parte:
"Comunicar, “traduzir a linguagem construída em laboratórios” é uma forma de democratizar o conhecimento, algo de direito da população, saber o que influencia direta ou indiretamente a sua vida"
é uma cientista essa menina!!!
PS. May, sugiro que tu faça uma "cobertura" d oevento que vai ter semana q vem no proximo post, pra que pessoas com oeu q nao podera ir ficar mais por dentro! Valeu...
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